Author Archives: Antonio Toca

Alex de la Iglesia e a Lei Sinde, o dilema do prisioneiro e o sentido comum num consumo de cinema mais social

Há mais de dois anos que se proclama que os profissionais do cinema espanhol não conheciam o dilema do prisioneiro, e desta forma não estavam a acompanhar as mudanças que estavam a ocorrer no modo como os espectadores queriam consumir cinema. Estava enganado. Agora sei que há alguém que entende. Alex de la Iglesia viveu na íntegra o dilema do prisioneiro desde que decidiu falar e entender por que havia gente que não entendia a Lei Sinde.

(…) a estratégia a ser seguida por dois dos prisioneiros que foram detidos para obter um melhor tratamento por parte da polícia, de acordo com algumas suposições. Como os presos estão separados e isolados devem decidir o que fazer, pensando no que o outro vai fazer (ver gráfico de opções e resultados). Tendo isto em conta, é normal que o sentido comum faça enfrentar o seu colega e revele como o tratamento da polícia é o melhor. E se ambos fazem os mesmo? Acontece que, na melhor das hipóteses, o resultado é o pior possível. O que fazer então? Não traia o outro prisioneiro, porque assim terá um castigo minimizado. Isto é, escolher a opção que, à primeira vista, não parece a melhor.

O diálogo estabelecido com a outra parte passou do desenvolvimento de um discurso intransigente sobre a conveniência da lei, para o entendimento de que o objectivo da lei não era a imposição. Pelo contrário, era a procura de uma vitória para ambos os lados em conflito: cineastas e espectadores. Ou seja, aprender a saber escutar. Exactamente igual ao benefício aplicado ao dilema do prisioneiro, por exemplo, o equilíbrio de Nash. Foi quando Alex de la Iglesia entendeu que o sentido comum não estava a ser usado.

Na teoria dos jogos este equilíbrio define-se como um modo de obter uma estratégia óptima para jogos que envolvam dois ou mais jogadores. Se houver um conjunto de estratégias das quais nenhum jogador beneficie, alterando eles próprios as suas estratégias, então esse conjunto de estratégias e os ganhos correspondentes constituem um equilíbrio de Nash. (…) O melhor resultado não é produto do que cada um faz por si próprio no grupo, a opção correcta ou a que possibilitaria melhor resultado seria produto do que cada um dos membros do grupo fizesse para si mesmo e também para o grupo. Isto é, colaborar.

Desde que aderiu ao Twitter que começou a aplicar o Sentido Social puro (acrescentando racionalidade e mentalidade aberta), aprovado no seu último discurso como presidente no dia da entrega dos prémios Goya. Procurou na reacção da Academia o despertar e o entendimento de não há uma única solução.

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