Modelos de subscrição: a nova era do Jornalismo Digital

Não nos referimos a nada de novo se falarmos da revolução a que tem estado sujeito o jornalismo. Desde as alterações forçadas nos primórdios da era digital até às recentes preocupações com as fake news, alguns peritos anunciam que o momento atual pode ser um dos períodos mais interessantes que o jornalismo digital já atravessou. O motivo? Os bons resultados dos modelos de subscrição de conteúdos.

Há que lembrar que o jornalismo digital está apenas a dar os primeiros passos, sendo dezembro de 1990 o ponto de partida desta nova era da Comunicação. Um artigo de David Shok, republicado do Medium no prestigiado Poynter Institute, reflete sobre a nova etapa do jornalismo digital, em que o leitor, e não a publicidade, é quem determina o serviço da informação.

Jornalismo digital nas suas primeiras etapas

Um aspeto curioso do jornalismo digital no seu primeiro quarto de século de vida é o facto de que muitos dos seus agentes principais, nascidos da disrupção em relação ao jornalismo tradicional, terem acabado por ser alvo, também eles, da mesma disrupção anos depois, face à entrada em cena de outros atores. Passados cerca de 29 anos, o jornalismo digital atravessou (segundo David Shok) três etapas diferentes:

  • A era dos Portais (1990-1997): Yahoo, MSN, AOL, etc., são os reis do ambiente digital. O rendimento está intimamente ligado ao espaço para publicidade que cada um destes gigantes coloca ao serviço do cliente.
  • A era dos Motores de Busca (1997-2006): os motores de busca, liderados pela Google, entram em jogo e permitem que os jornais digitais comecem a pensar em SEO (Search Engine Optimization). Aqui surge o The Huffington Post como resposta natural às necessidades de um jornalismo baseado nas inquietações dos leitores: interessa-me saber sobre um tema, sobre o qual faço uma pesquisa no motor de busca; para os meios, interessa-lhes que o seu artigo seja o melhor posicionado nos resultados de pesquisa, de forma a dar resposta às minhas inquietações.
  • A era das Redes Sociais (2006-2015): a fragmentação do mercado chega ao seu ponto mais crítico, sobretudo com o Facebook, pondo em funcionamento novas fórmulas: a busca pela viralidade e pelo clickbait. Aqui surgem as notícias falsas e os meios acabam por “atraiçoar” o leitor, tanto em conteúdo como em experiência.

A nova era do jornalismo digital

A boa notícia da evolução do jornalismo digital para um modelo de subscrição por conteúdos (à semelhança do que acontece com o Spotify ou com a Netflix) é o benefício que traz aos leitores e ao próprio jornalismo. Porquê? A resposta é simples: a informação está de novo nas mãos de quem a produz e de quem a consome, e não nas mãos da publicidade.

O atual cenário mediático está fragmentado em dezenas de fórmulas rentáveis, mas os modelos de subscrição estão a ganhar cada vez mais importância desde 2015, de uma forma inédita. Tanto no The New York Times como no The Financial Times, por exemplo, as subscrições ocupam um peso cada vez maior nos resultados económicos obtidos anualmente, em comparação com o que representa a publicidade.

Também o Big Data, Machine Learning, etc. ameaçam mudar os modelos estabelecidos atualmente e, enquanto muitas destas novas ferramentas se aplicam a grandes diários, o futuro próximo do jornalismo digital parece que está marcado pela qualidade do conteúdo e pelas escolhas dos leitores.

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